O governador Mauro Mendes (União Brasil) declarou, em entrevista à imprensa após evento no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), nesta quinta-feira (25.09), que não possui informações atualizadas sobre as obras do BRT de Cuiabá. O projeto ultrapassou, em meses, o prazo contratual de 150 dias para conclusão — iniciado em março — sem que o Governo do Estado tenha aplicado as multas previstas à empresa responsável.
“Eu não acompanhei esse assunto especificamente, ele continua em andamento. Confesso que, atualmente, o Estado possui milhares de obras em execução. Não é possível realizar atualizações diárias de todas elas, até porque existem outras atribuições sob minha responsabilidade. No entanto, se houve um pacto nesse sentido, certamente poderá ser cobrado — e será.”
Questionado sobre a situação da Santa Casa e sobre a possibilidade de o governo atuar em conjunto com a prefeitura, caso o valor alcance R$ 25 milhões, o governador Mauro Mendes afirmou que “estou pensando”. A instituição acumula dívidas e mantém o atendimento à população de baixa renda de Cuiabá e da região metropolitana, mesmo em meio a um cenário de instabilidade financeira.
Política de remoção sem diferenciação
Ao comentar sobre as famílias que ocupam áreas próximas ao Contorno Leste, Mendes descartou negociações: “Todos nós desejamos encontrar soluções, mas não é admissível simplesmente olhar para quem invade terras e querer oferecer uma solução. Caso contrário, estaremos incentivando a ocupação irregular com o objetivo de obtenção de moradia. E quantas pessoas não aguardam por uma moradia digna? Então, quem não invade não é contemplado, e quem invade é? É essa a lógica? Talvez, entre vocês, haja alguém aguardando por uma moradia. Então, devo invadir a de alguém também? Isso não está certo. A maioria dos que se encontra no local já foi identificada: possui residência própria ou outro tipo de propriedade. Estavam ali como invasores, em área nobre, de elevado interesse econômico. É preciso cautela com esse tipo de situação. Invadiu, perdeu.”
Críticas ao sistema judiciário
Mendes questionou a eficácia das sentenças judiciais ao comentar a condenação de um pedreiro a mais de 200 anos de prisão pelo assassinato de mãe e filhas em Sinop. “Hipocrisia, não é? Entendo que a pena deveria ser ainda mais severa do que os 200 anos aplicados. Um indivíduo que comete uma atrocidade como tirar a vida de pessoas seguirá custando ao Estado e ao cidadão. Deveria haver penas mais rigorosas para crimes dessa natureza, pois isso faria as pessoas refletirem antes de agir. Afinal, ninguém cumprirá 200 anos de prisão.”
O governador também defendeu o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, alvo de operação da Polícia Federal, atribuindo motivação política à investigação. “De fato, houve apoio da unidade executiva do partido ao presidente Rueda. A alegação de que alguém seria supostamente proprietário de uma aeronave utilizada por outrem não constitui, por si só, justificativa para a deflagração de uma operação. Posteriormente, tomei conhecimento de que a denúncia teria partido de alguém ligado ao PSOL, à extrema esquerda do país. É preocupante considerar — ainda que sem elementos conclusivos — a possibilidade de instrumentalização política de instituições tão relevantes. O partido e sua executiva manifestaram solidariedade ao presidente Rueda.”
