Quinta, 10 de Setembro de 2026
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Apple muda estratégia e foca em iPhones mais caros em meio à crise de chips Com a expansão dos data centers de inteligência artificial, fabricantes de memória passaram a direcionar uma parcela maior da capacidade para componentes mais sofisticados e rentáveis

Apple muda estratégia e foca em iPhones mais caros em meio à crise de chips Com a expansão dos data centers de inteligência artificial, fabricantes de memória passaram a direcionar uma parcela maior da capacidade para componentes mais sofisticados e rentáveis

10/09/2026 às 08h06
Por: Redação
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Apple muda estratégia e foca em iPhones mais caros em meio à crise de chips Com a expansão dos data centers de inteligência artificial, fabricantes de memória passaram a direcionar uma parcela maior da capacidade para componentes mais sofisticados e rentáveis

Pela primeira vez, a Apple separou o lançamento dos iPhones mais caros da apresentação dos modelos básicos. A companhia mostrou nesta quarta-feira (9) o iPhone 18 Pro, o 18 Pro Max e o Duo, seu primeiro aparelho dobrável.

O iPhone 18 tradicional ficou de fora, assim como o 18e e a nova geração do Air.

Em outros anos, a Apple até escalonou a chegada dos produtos às lojas, mas os modelos básicos e profissionais eram anunciados juntos.

A mudança concentra a temporada de fim de ano nos produtos de maior valor e margem. Também ajuda a Apple a administrar um problema que atinge toda a indústria: a escassez de chips de memória e o forte aumento dos custos de produção.

Com a expansão dos data centers de inteligência artificial, fabricantes de memória passaram a direcionar uma parcela maior da capacidade para componentes mais sofisticados e rentáveis. A consequência foi uma oferta mais apertada e cara de memória para celulares.

Nesses ambiente, oferecer simultaneamente seis modelos diferente exigiria mais componentes, linhas de produção e combinações logísticas. Ao dividir o calendário, a Apple reduz essa pressão e prioriza os aparelhos capazes de absorver melhor o aumento dos custos.

Em vez de sacrificar margens para manter os preços, a companhia repassou parte da inflação dos componentes ao consumidor. O iPhone 18 Pro começa em US$ 1.199 nos Estados Unidos e o Pro Max, em US$ 1.299. Os dois ficaram US$ 100 mais caros que seus antecessores.

O reajuste foi menor que o projetado por Wall Street. O Bank of America esperava aumentos entre US$ 150 e US$ 200. O Citi calculava preços iniciais de US$ 1.299 para o Pro e US$ 1.399 para o Pro Max, US$ 100 acima dos valores anunciados.

O mesmo aconteceu com o iPhone dobrável. O iPhone Duo foi lançado por US$ 1.999, abaixo dos US$ 2.099 considerados pelo BofA e de estimativas que chegaram a US$ 2.500. Ainda assim, é o celular mais caro já colocado à venda pela companhia. No Brasil, os preços partem de R$ 22 mil

A Apple tambem aumentou em US$ 100 os preços de entrada de aparelhos anteriores que continuarão no catálogo. É um sinal de que a pressão não está restrita aos lançamentos: a empresa está reposicionando toda a linha para cima.

A estratégia da Apple

O aumento do custo de vida vem levando famílias de renda baixa e média a buscar descontos, trocar marcas e adiar compras.

Mas a desaceleração não é uniforme. O Livro Bege mais recente do Federal Reserve apontou uma divisão crescente entre os consumidores.

A inflação pressiona o consumo nos Estados Unidos, mas empresas voltadas ao público de maior renda ainda relatam demanda firme e maior capacidade de reajustar preços.

É essa fatia do mercado que a Apple busca alcançar. O Citi avalia que a companhia está mais protegida que outras fabricantes por causa de sua clientela de maior renda, das opções de financiamento, da força da marca e do acesso privilegiado a componentes.

O banco projeta queda de 14% nas vendas mundiais de smartphones em 2026, mas crescimento de 1% nas vendas de iPhones, para 246 milhões de aparelhos. Em 2027, o volume subiria outros 7%, para 263 milhões.

Para o segundo semestre deste ano, o Citi estima a produção de 81 milhões de aparelhos da nova geração, incluindo 7,5 milhões de unidades do Duo, topo de linha da marca.

inteligência artificial

O lançamento também é um teste para o posicionamento da Apple em inteligência artificial.

A companhia ficou atrás de rivais como Google, Microsoft e OpenAI na corrida pelos modelos generativos. Os atrasos na reformulação da Siri aumentaram a cobrança dos investidores e colocaram em dúvida a capacidade da empresa de transformar sua base de mais de 2,5 bilhões de dispositivos ativos em uma vantagem competitiva.

A resposta da Apple é tentar disputar esse mercado por um caminho diferente. Em vez de concentrar a comunicação no tamanho dos modelos, a companhia busca se apresentar como a empresa capaz de integrar hardware, software e inteligência artificial dentro de um mesmo ecossistema.

Parte relevante do processamento acontece no próprio aparelho. Quando é necessário recorrer à nuvem, a Apple destaca o uso de uma infraestrutura privada. A promessa é oferecer recursos alimentados pelas informações pessoais do usuário sem abrir mão da privacidade.

O Duo materializa essa tese. O aparelho combina o novo chip A20 Pro, duas telas e uma versão do sistema operacional adaptada ao formato dobrável e uso de IA. Mais do que entrar em uma categoria já explorada por Samsung, Google e fabricantes chinesas, a Apple quer mostrar que consegue fazer hardware e software funcionarem como um único produto.

O desafio será provar que essa integração justifica um aparelho de US$ 2 mil e, principalmente, que a nova Siri consegue entregar recursos relevantes.

As ações da Apple caíram durante o evento e chegaram a recuar cerca de 2%, antes de reduzirem as perdas e fecharem com queda de 0,27% . A reação não foge ao padrão histórico dos lançamentos da empresa.

Levantamento do Bank of America mostra que os papéis frequentemente sofrem uma reação de “venda no fato” logo depois das apresentações, mas costumam recuperar terreno nas semanas seguintes.

Desde o lançamento do primeiro iPhone, em 2007, a ação subiu em 17 das janelas de 60 dias posteriores aos anúncios analisados pelo banco. O melhor resultado ocorreu após a apresentação do iPhone 11, em 2019, quando os papéis avançaram 20% em dois meses. Depois do iPhone 17, a valorização foi de 8% em 30 dias e de 15% em 60 dias.

O Citi chega a uma conclusão semelhante. A Apple historicamente tende a superar o Nasdaq e o S&P 500 antes dos eventos de setembro. Entre o lançamento e a divulgação do balanço do trimestre de dezembro, contudo, o desempenho relativo é misto ou apenas levemente positivo.

Os dois bancos mantêm recomendação de compra. O BofA trabalha com preço-alvo de US$ 380, potencial de valorização de 18,8% em relação à cotação usada no relatório. O Citi projeta US$ 365 e retorno total de 12,6%, incluindo dividendos.

A reação imediata do mercado, portanto, diz pouco sobre o sucesso da nova estratégia. O investidor tenta saber se o consumidor aceitará pagar mais, se o Duo conseguirá levar os dobráveis além de um nicho e se a Apple será capaz de transformar a integração entre hardware, software e privacidade em uma vantagem real na inteligência artificial.

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