
Um vídeo que circula nas redes sociais desde a terça-feira (20), mostra a abordagem de policiais da Ronda Ostensiva Tática Móvel (Rotam) com os vereadores de Cuiabá Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos e alvos da Operação Cathedra Venalis. As imagens gravadas em maio deste ano, são do mesmo dia em que os parlamentares participaram de um almoço com políticos de Várzea Grande, encontro que passou a integrar as apurações sobre suspeitas de irregularidades na eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal da cidade industrial.
A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), e apura possíveis crimes de corrupção, obtenção de vantagens indevidas e atuação de organização criminosa em articulações políticas envolvendo o Legislativo várzea-grandense.
O almoço teria reunido pelo menos 13 vereadores de Várzea Grande. Uma denúncia encaminhada ao Gaeco, baseada em uma fotografia do encontro, teria contribuído para levantar suspeitas sobre a reunião realizada antes da eleição da Mesa Diretora.
Informações preliminares também apontam para a suspeita de que dinheiro em espécie teria sido encontrado em uma mochila durante a abordagem aos vereadores cuiabanos.
Após ser alvo de mandado de busca e apreensão, Alex Rodrigues afirmou que apenas o celular foi apreendido pelos agentes. Ele disse que compareceu ao almoço a convite do vereador Miguel Júnior, conhecido como Miguelzinho, a quem chamou de amigo pessoal, e que permaneceu no local por aproximadamente duas horas. O vereador negou envolvimento em irregularidades e disse acreditar que conseguirá demonstrar que não teve participação em eventuais práticas ilegais. Ao comentar sua presença no encontro, afirmou que estava “no lugar errado, na hora errada”.
Já Ilde Taques, presidente eleito da Câmara de Cuiabá, afirmou que recebeu com tranquilidade o cumprimento de mandado de busca e apreensão em sua residência. Em nota assinada pelo advogado Eduardo Mahon, a defesa declarou que o parlamentar colaborou com as autoridades e que, segundo sua avaliação, os agentes não encontraram elementos que o relacionem a atividades irregulares.
Ilde também negou qualquer participação em articulações políticas ilegais relacionadas à eleição da Mesa Diretora de Várzea Grande. A defesa ressaltou que ainda não teve acesso aos autos, que tramitam sob sigilo, e afirmou que o vereador permanece à disposição das autoridades judiciárias.
Operação Cathedra Venalis
Deflagrada nesta terça-feira (20), a Operação Cathedra Venalis cumpre 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. A ação mobiliza mais de 200 agentes e tem como alvos parlamentares e outros investigados por possíveis irregularidades relacionadas à escolha da direção da Câmara de Várzea Grande.
Entre os alvos estão os vereadores de Várzea Grande: Cilcinho (PV), Braz Jaciro (PSDB), Alessandro Moreira (MDB), Wender Madureira (Republicanos), Sargento Galibert (PSB), Miguelzinho (Cidadania), Lucélia Oliveira (Agir), Kleberson Feitoza (PSB), Raul Curvo (Republicanos), Enfermeiro Emerson (PP), Wanderley Cerqueira (MDB), Gisa Barros (Podemos) e Rogerinho Dakar (PSDB).
Também estão entre os alvos o suplente de vereador Samir Japonês (PL) e a diretora-geral da Câmara Municipal de Várzea Grande, Lorineide Aparecida Trindade Inhan. Em Cuiabá, os vereadores investigados são Ilde Taques e Alex Rodrigues.
A força-tarefa reúne o Ministério Público, por meio do Gaeco, a Polícia Militar, a Polícia Civil, a Polícia Penal e o Sistema Socioeducativo. A apuração busca reunir provas sobre possíveis práticas de corrupção, cooptação de agentes públicos e obtenção de vantagens indevidas.