
O Flamengo recorre a quatro decisões anteriores da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) para tentar reverter sua eliminação na semifinal da Libertadores de 2026. Além do caso envolvendo o Santos, em 2018, o clube carioca utiliza punições aplicadas a Chapecoense, Deportes Temuco e Barcelona de Guayaquil para reivindicar uma vaga na final, após a suposta escalação irregular do lateral Marcos Rojo pelo Estudiantes, na partida disputada no Maracanã, na semana passada.
O Flamengo questiona a participação do argentino, que foi escalado pelo Estudiantes após conseguir uma autorização provisória na Corte Arbitral do Esporte (CAS). A Conmebol havia rejeitado a inscrição do jogador, mas o clube argentino recorreu da decisão.
O principal argumento dos cariocas está no artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol, que prevê derrota por 3 a 0 para equipes responsabilizadas pela escalação irregular de jogadores.
Um dos principais precedentes citados pelo Flamengo aconteceu nas oitavas de final da Libertadores de 2018, quando o Santos foi punido pela escalação do uruguaio Carlos Sánchez contra o Independiente, da Argentina.
Na ocasião, os clubes empataram por 0 a 0 no jogo de ida. O Independiente, porém, apresentou uma reclamação à Conmebol, alegando que Sánchez ainda precisava cumprir uma suspensão recebida em 2015, quando defendia o River Plate.
O jogador havia sido punido com três partidas de suspensão após agredir um gandula na Copa Sul-Americana. Posteriormente, a pena foi reduzida para um jogo por uma anistia concedida pela Conmebol.
A entidade acolheu o recurso e transformou o empate em vitória do Independiente por 3 a 0. No confronto de volta, as equipes empataram novamente sem gols, resultado que eliminou o Santos.
Outro caso utilizado pelo Flamengo ocorreu na Libertadores de 2017, quando a Chapecoense escalou o zagueiro Luiz Otávio contra o Lanús, da Argentina.
O jogador estava suspenso por uma expulsão diante do Nacional, do Uruguai. A Conmebol informou sobre a punição minutos antes da partida, mas o clube brasileiro alegou não ter recebido uma comunicação oficial e manteve o atleta em campo.
Luiz Otávio chegou a marcar um dos gols da vitória por 2 a 1. Posteriormente, a Conmebol puniu a Chapecoense, alterou o resultado para 3 a 0 em favor do Lanús e retirou os pontos conquistados pela equipe brasileira.
A decisão contribuiu para a eliminação da Chapecoense ainda na fase de grupos.
Em 2018, o San Lorenzo conseguiu reverter o resultado de uma partida contra o Deportes Temuco, do Chile, pela Copa Sul-Americana.
O clube argentino denunciou a escalação de Jonathan Requena, que havia sido relacionado anteriormente pelo Defensa y Justicia na mesma competição.
Como o regulamento proibia um jogador de atuar por duas equipes no mesmo torneio, a Conmebol acolheu a reclamação e determinou vitória do San Lorenzo por 3 a 0 no jogo de ida.
O Deportes Temuco recorreu, mas a punição foi mantida. Apesar de vencer a segunda partida por 1 a 0, o clube chileno acabou eliminado pelo placar agregado de 3 a 1.
O quarto precedente aconteceu na Libertadores de 2019, quando o Barcelona de Guayaquil, do Equador, foi punido pela escalação irregular de Sebastián Pérez contra o Defensor Sporting, do Uruguai.
O jogador entrou em campo sem que seu Certificado Internacional de Transferência (CTI) tivesse sido recebido dentro do prazo exigido pela Conmebol.
O Barcelona havia vencido o confronto de ida por 2 a 1, mas, após reclamação do Defensor Sporting, a entidade alterou o resultado da partida.
Mesmo com uma vitória por 1 a 0 no jogo de volta, os equatorianos não conseguiram reverter a desvantagem provocada pela punição e foram eliminados.
A contestação do Flamengo envolve a inscrição de Marcos Rojo pelo Estudiantes. O argentino foi contratado após deixar o Racing, em uma negociação de US$ 500 mil (R$ 2,5 milhões), com previsão de pagamentos adicionais por classificação à final e conquista do título.
O Estudiantes precisava reforçar a defesa depois das suspensões de Pirez e Tomás Palacios. Rojo foi inscrito no Campeonato Argentino na vaga do lesionado Gabriel Neves.
Entretanto, o prazo de recuperação do atleta machucado não atendia aos critérios da Conmebol para abertura de uma vaga na Libertadores, e a inscrição de Rojo foi inicialmente rejeitada.
O clube argentino recorreu ao CAS e conseguiu a liberação do jogador na véspera da partida no Maracanã. Rojo foi titular na lateral esquerda.
Como havia sido incluído no processo, o Flamengo informou previamente que reivindicaria os pontos caso o atleta fosse escalado.
Agora, o clube brasileiro utiliza os quatro precedentes para sustentar sua reclamação e tentar obter uma decisão que altere o resultado da semifinal. Os casos anteriores, porém, não garantem que a Conmebol adotará o mesmo entendimento sobre a participação de Rojo.