A Secretaria Municipal de Educação realizou na manhã desta terça-feira (27) um encontro de acolhimento a professores e servidores que trabalham na Creche Cora Coralina, atingida por uma aeronave agrícola que caiu no início da tarde da última sexta-feira (23).
Com palestras ministradas pelas psicólogas Melissa Lobado, da Secretaria Municipal de Assistência Social, e Haydee Tainá Schuster, o objetivo da ação foi atenuar o estresse pós-traumático causado pelo acidente e preparar os profissionais para o retorno dos alunos, transmitindo a eles confiança e segurança.
“A nossa intenção com esse momento de escuta, de acolhida às profissionais que vivenciaram esse episódio, é trazer todo um apoio, uma segurança, mas também uma validação do reconhecimento dos sentimentos que suscitam após experienciarmos uma situação como esta”, explicou Melissa.
Durante o acolhimento, que contou com a presença do secretário municipal de Administração e Recursos Humanos, Claudilei Pereira Borges, e foi realizado no auditório do Paço Municipal, as profissionais puderam externar os sentimentos e as sensações geradas pelo ocorrido.
“Nós, enquanto serviço de psicologia, mas também como Prefeitura Municipal, como Secretaria de Educação, estamos aqui para acolher essas profissionais, e, principalmente, dar condições para que elas consigam falar desses sentimentos, e acolher de maneira mais fortalecida, mais amorosa, com vínculo maior com essas crianças que também retornarão e também com os pais”, frisou.
De acordo com a psicóloga, novas ações de apoio às profissionais serão realizadas posteriormente, mantendo um acompanhamento, que será feito por uma rede de apoio, de forma a minimizar os efeitos pós-traumáticos. “Nós entendemos que o que aconteceu gera repercussões, momentos de insegurança, de preocupação e medo nesse retorno. E para minimizar esses efeitos é que nós estamos organizando esse acolhimento”, frisou.
Para a secretária de Educação, Simoni Pereira Borges, o acidente foi um evento de alto impacto psicológico e o acolhimento, o acompanhamento às profissionais, especialmente àquelas que estavam na creche no momento da queda da aeronave, são fundamentais para que os traumas resultantes possam ser minimizados.
De acordo com a secretária, o acolhimento aos profissionais refletirá de forma positiva para que eles possam receber os alunos no retorno às atividades de maneira mais tranquila, mais confiante, repassando a eles maior sensação de segurança. “Nós entendemos que, quando as crianças chegarem à instituição, é preciso que estejamos mais fortalecidos para recebê-las”, enfatizou Simoni.
Ela frisou que o acolhimento é também um agradecimento e uma forma de reconhecimento à maneira como os professores e funcionários da creche agiram após o acidente, mantendo as crianças calmas e as retirando do local em total segurança. A secretária destacou que a evacuação do prédio seguiu todos os protocolos de segurança adotados pela Secretaria de Educação para momentos de pânico.
“Algo que nós trabalhamos muito são essas medidas de segurança em todas as nossas instituições”, frisou Simoni Borges. “E aquela equipe era altamente treinada. Nós temos lá uma diretora muito preocupada com os protocolos de segurança e isso fez toda a diferença no momento do acidente, da retirada das crianças”, ressaltou a secretária.
A professora Leiude Máximo da Silva era uma das que estavam na Creche no momento do acidente e, apesar do susto e do medo provocados pela queda do avião, conseguiu agir de forma tranquila na retirada dos alunos e na orientação às outras profissionais sobre como deixar o ambiente de forma segura. Depois de retirar seus alunos, ela retornou ao prédio para evacuar os demais. “Foi um grande susto. Na hora a gente não tinha a dimensão do acontecido”, contou.
A partir de agora, a professora ressalta que processar o acontecimento, as emoções e compartilhar a experiência, especialmente com as outras profissionais que vivenciaram o acidente, pode, na opinião dela, ser uma forma de amenizar o trauma. “Eu acredito que falar é a maneira de tirar o que você está sentindo”, disse.
Antes de atingir o prédio da creche, a aeronave tocou no telhado de uma Unidade Básica de Saúde que fica ao lado. O piloto do avião, de 28 anos, teve ferimentos no tórax, na cabeça e no pulmão. Atendido no Hospital Municipal Coração de Jesus, ele foi transferido para uma unidade hospitalar em Rondonópolis e recebeu alta na segunda-feira (26). Nenhum aluno ou profissional da creche ficou ferido.
Retorno às aulas
Conforme informou a Secretaria Municipal de Educação, a volta às aulas na Creche Cora Coralina, inicialmente prevista para esta terça-feira (27), será no dia 3 de novembro devido aos reparos que estão sendo realizados no prédio.
