
A combinação de juros mais altos nos Estados Unidos e mais baixos no Brasil pode mudar a decisão de investidores estrangeiros sobre onde alocar seus recursos.
Para João Daronco, analista da Suno Research, a redução do diferencial tende a diminuir a atratividade dos ativos brasileiros, o que pode reduzir o fluxo de recursos para o país e afetar tanto a bolsa quanto a renda fixa, além de pressionar o real frente ao dólar.
Ainda assim, Daronco admite que “não é por essa queda (da Selic) que o Brasil deixará de ser um lugar atrativo para investidores internacionais”.
Com as duas decisões, o diferencial nominal entre as taxas básicas ficou entre 9,75 e 10 pontos percentuais.
Mas o cenário de juros atual não deve significar uma fuga da bolsa brasileira. Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, argumenta que, para o movimento de carry trade, o Brasil ainda se destaca por estar entre as maiores taxas de juros reais do mundo.
Para as ações, a atratividade depende também da perspectiva de lucros, do câmbio e da percepção de risco.
Nicolas Mérola, analista da EQI Research, lembra que a vinda do investidor estrangeiro para a bolsa brasileira não necessariamente está 100% atrelada aos juros e, sim, à rotação de portfólios dentro do mercado de investimentos emergentes.
No entanto, reconhece que “o natural de se pensar é que a alta de juros norte-americanos deve reter cada vez mais capital nos Estados Unidos”, uma vez que os títulos se tornam mais atrativos, especialmente para quem busca segurança e liquidez.
A ferramenta FedWatch, do CME Group, passou a indicar uma probabilidade de mais de 50% de uma nova alta de juros norte-americanos na reunião de outubro.
Para Will Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, apesar de o movimento merecer atenção, não deve significar uma fuga “estrutural” da bolsa brasileira: “o que vai definir é a combinação de eleição, fiscal e preços de commodities”, afirmou.